Um sorriso me furtou
no instante que mirou
tantas incertezas
com a certeza de que
sua alma à minha pertencia
e, desde então, não mais temia
as reviravoltas da vida
pois já sabia
que meu eu te pertencia.
Assim retardo os dias,
com a inebriação de uma alegria
que não mais conhecia
mas insistia em ansiar
ignorando as convicções de que,
nesse imenso mundo
ninguém de fato me pertenceria
e que o amor de ninguém me traria
o que me trouxestes em um único dia
algo que nunca soube qualificar...
seria esta a verdadeira emoção de amar?
Para P.
28/02/2014, às 17:08.
sexta-feira, 28 de fevereiro de 2014
quarta-feira, 15 de janeiro de 2014
Anonimamente
vai minha tristeza, silenciosa, como um veneno pulsando na corrente sanguínea, consumindo, inebriando e ressuscitando tantos pensamentos perdidos. Estes que estão longe porém ao mesmo tempo tão perto. Pensamentos estes que anseio estar e que já estive, por pouco tempo, o qual julguei muito. Todo início tem um fim. E a linha final é inevitável: apenas um ganha. Não chorei sua ausência, nem tive arrependimentos por ela. Mas porque meu coração ainda se reprime por tantas memórias?Espalhadas em lugares, fotos, cadernos, bilhetes, roupas, papéis de presente, livros, incensos, músicas... apesar de não ter você, continuo te possuindo de tantas outras formas insuficientes para curar o vazio que restou de tanto... amor?
Gostaria de encontrar seu antídoto, este que preencheria tanta tristeza com a certeza que o meu querer você transcende sua capacidade emocional de compreender a minha. E assim sigo, com risadas sem graças, pensamentos perdidos e olhares vazios.
Mas amanhã tudo passa, lembro que na verdade nem fostes boa assim e que sem você, meus dias são mais produtivos e livres de tanto rancor, o qual você alimentava com satisfação.
Pela manhã tamanha tristeza adormece, pois à noite sempre é a hora do seu plantão.
Parabéns, você venceu.
Gostaria de encontrar seu antídoto, este que preencheria tanta tristeza com a certeza que o meu querer você transcende sua capacidade emocional de compreender a minha. E assim sigo, com risadas sem graças, pensamentos perdidos e olhares vazios.
Mas amanhã tudo passa, lembro que na verdade nem fostes boa assim e que sem você, meus dias são mais produtivos e livres de tanto rancor, o qual você alimentava com satisfação.
Pela manhã tamanha tristeza adormece, pois à noite sempre é a hora do seu plantão.
Parabéns, você venceu.
segunda-feira, 2 de dezembro de 2013
Satisfeita
Mesmo perante tanta embriaguez,
Cá estava meu coração
Com uma estúpida sobriedade
Em acreditar naquelas verdades
Que um dia demonstrastes
Com olhares inexpressivos e doces palavras
Os quais acreditei ser muito para atingir
Tamanha vaidade
Quando não mais sorriu para mim.
Mas não me caleja
Ergo a cabeça
E teimo em acreditar
Em todas as verdades
Que me deixam
Com tão pouco
Satisfeita.
02/12/13, às 17:15.
Cá estava meu coração
Com uma estúpida sobriedade
Em acreditar naquelas verdades
Que um dia demonstrastes
Com olhares inexpressivos e doces palavras
Os quais acreditei ser muito para atingir
Tamanha vaidade
Quando não mais sorriu para mim.
Mas não me caleja
Ergo a cabeça
E teimo em acreditar
Em todas as verdades
Que me deixam
Com tão pouco
Satisfeita.
02/12/13, às 17:15.
quarta-feira, 20 de novembro de 2013
Onde jaz, meu coração?
Ousei abrir,
Aquela velha pasta fichário,
Para relembrar ou até descobrir
E entre tantas memórias,
Bilhetes, guardanapos apaixonados.
Fotos 3x4 e porta-copos datados,
Encontrei tantas cartas de amor,
Ridículas, como assim julga Bethânia,
Inclusive as suas, as quais estava destinada a abdicar,
Queimar, ou simplesmente esquecer.
Mas de tantos sentimentos que esperava ter,
Apenas consegui sorrir,
Ao perceber o bem que me tiveste feito,
Mesmo ao tirá-lo de mim.
Li-os, guardei-os
E percebi que a arte de perder, como geniosamente define
Bishop
Não é uma arte difícil de dominar,
Por mais desastrosa que aparente.
Meu coração jaz tranquilo,
Em paz,
No bem que me fez ao te perder,
E perceber que o sol e a lua continuaram lindos todos os
dias
Mesmo sem você.
20/11/2013, às 17:02.
Porque não?
E o
mistério me congelou,
não sei se foram seus olhos,
ou sua boca
que me chamava e inebriava com seu misterioso sorriso.
Para mim?
Porque não?
E, assim, num breve momento, me vi com um único impulso.
Nos senti em um único impulso.
Remeteu-me então à uma dúvida:
"porque eu?"
Porque não?
Em vinte e quatro voltas no ponteiro,
aqui estava,
sentada, sorrindo, sozinha,
encantada,
pensando, com minha loucura,
como o mundo pode dar 360º,
em um único momento...
seria este
um único momento
ou um momento único?
Porque não?
Agora vivo nesse mistério,
não mais dos seus olhos, ou sorriso,
ou sequer do calor de seu corpo,
mas de suas mãos,
as quais escondes toda vez que pergunto
porque não?
Para L.
12/11/13 - 21:36.
sábado, 30 de junho de 2012
Sim, pode entrar...
As personalidades criadas para esconder as peças principais nesse meu jogo labirinto, em que o que é bom, o que é corruptível e alienável foram sendo descobertos pelo xeque-mate de sua presença em minha vida, por suas palavras doces, por vezes autoritárias, ditas e pensadas quando minha intenção era ganhar, onde agora me encontro submissa a tudo isso, envolvendo seu toque, seu pensamento, sua respiração em minha pele e peito, ambos trêmulos, quando todos os sentidos e racionalidades aguçados foram postos em teste, fazendo meus pressupostos serem colocados em dúvida e toda a fé naquilo que eu ousava achar correto foram substituídos, pelo que, em pouco tempo passa a representar muito para mim. Você. E hoje, a causa do meu bom humor a cada minuto, basicamente se resume em ver teu rosto envergonhado, em sentir tua pele deslizando sobre a minha quando nada mais importa e, então, lembrar de seu sorriso bobo causado por palavras consideradas sem valor e, somente agora, sei o quanto valem estar impregnadas em minha alma. Sim, pode entrar, sem licença, sem permissões prévias, nesse meu mundo inexorável em que você teve o prazer de desconstruir e construir em mim, algo que sempre fui, mas nunca explicitei a ninguém. Só a você. Você que soprou vida no que estava em torpor, e ficaria assim, por um bom tempo... tempo esse que você usurpou e reciclou em algo admirável: eu e você. Para K.
domingo, 30 de janeiro de 2011
Tempo
E é nesse fundo em que me encontro, sem respostas, sem perguntas, com uma saudade sem definição, uma saudade que tento aplicar em coisas, em pessoas, que na verdade não as pertence. Essa saudade que faz meu vazio ficar sempre meio cheio. Na verdade, acredito que não seja a saudade em si, mas que seja a falta de algo, algo que sempre idealizei e nunca tive. E esse anseio de ter, e a frustração de nunca ter é o que me consome. Querer aplicar tais coisas em pessoas que você visa um futuro nunca é a resposta, afinal, você não pode querer aplicar algo já existente em você em alguém que já abriu mão dessas coisas, ou simplesmente não anseiam em ter.
Encontro-me aqui, cansada, cansada de tantas coisas repetidas, de tantas sensações que estou tão cansada em ter mas insisto em continuar tendo. Coisas insignificantes. Talvez eu goste da sensação de estar assim, talvez eu goste da sensação de dar a volta por cima, ou simplesmente eu tenho tendências a me encontrar assim. A verdade é que eu não estou triste, não estou depressiva, estou realmente bem, apenas fico cavando motivos pra me encontrar em mais um drama desnecessário. Não há simplicidade naquilo que sempre será complexo. E é por isso que estou aprendendo deixar a luz entrar pelas frestas que um dia ousei fechar. Fechei por uma ideologia falsa, um bloqueio criado para evitar algo que até hoje não sei. E hoje, não faço mais questão de saber. A curiosidade de saber onde poderia ter chegado me deixa mais confusa ainda.
Pedi ao tempo mais um tempo pra mim, cansei de desperdiçá-lo. Todos precisam de um tempo, não vejo o porque não tirar um pedaço dele pra mim. E sei que amanhã, o dia será bonito como todos os outros, e essa dúvida ainda me consumirá, e continuarei a pensar sobre tantas coisas que não estão sobre meu controle e eu sempre achei que pudesse controlar, ou quis. Mas dessa vez, espero que a luz possa entrar e que eu veja tudo aquilo que ficou oculto durante tanto tempo. E assim me desfaço, me deixo vulnerável, destruo todas as muralhas que insisti em aplicar em volta do meu emocional. Dou a vida a disponibilidade que tive por tanto tempo e quis deixá-la isolada.
domingo, 23 de janeiro de 2011
Freud diria...
O que fazer quando você descobre que às vezes as pessoas são exatamente do jeito que você sempre ansiou que não fossem, que certas pessoas na qual você fazia questão da presença em sua vida de repente se torna desnecessária e não te faz mais falta, que sua vida é mais confusa do que você pudesse imaginar, que todas as coisas que você acreditava piamente fossem colocadas em dúvida?
O que fazer quando você decide seguir em frente, mesmo depois de tanta tempestade e descobre que não há lugar pra ficar, que as atitudes das pessoas podem machucar, mas às vezes a intenção é de se proteger; que às vezes é melhor mudar seu comportamento a ter que dividir algo que se preza com outra pessoa, que o egocentrismo muitas vezes fala mais alto e te faz culpar as pessoas que você gosta, ou quando você deita a cabeça no travesseiro pronta pra dormir, com a cabeça sem pensamentos e seu celular vibra, e é aquela pessoa, te mandando uma mensagem e te fazendo relembrar de tantos outros momentos que você já tinha esquecido?
O que fazer quando você descobrir que a pessoa que você adorava estava morta por dentro, que essa pessoa não tem chances de ressuscitar, que é realmente uma pena que essa pessoa se encontre assim, fechada num túmulo há 7 palmos de distância de você; e quando você descobre que essa pessoa nunca te faz bem e a distância entre vocês só te faz bem, mas de alguma forma, você a quer por perto, mesmo que por meios imaginários?
O que fazer quando está óbvio as pessoas que te fazem bem, que possuem o dom de te fazer feliz, mas elas simplesmente não te interessam da forma que você queria; o que fazer quando aquilo que você tinha abandonado há tantos anos voltasse a te interessar, mas você simplesmente não sabe mais como agir, falar e esquematizar?
O que fazer quando descobrir que achar "aquela pessoa" é cada vez mais difícil, pois as pessoas passaram a sumir; ou quando você acha réplicas perfeitas daquilo que um dia você idolatrou, mas os defeitos são até piores? Ou quando você encontra uma pessoa com qualidades superiores sobre aquilo que você sempre quis, mas tem aquela pequena e substituível coisa que te incomoda e faz todas as qualidades virarem nada? O que fazer quando você descobre que sofre como todos os outros, que é passível a ciúmes, saudade, raiva e rancor; que a vida imaginária é muito mais bonita e impossível do que a vida real? Ou quando você percebe que muitas pessoas tem muito menos do que você e estão satisfeitos naquilo que você queria estar?
O que fazer quando você está cansada de tanto drama, mas no fundo você só fica satisfeita quando há algum drama? E quando você conhece pessoas que são ligadas a outras e no final, você não sabe quem escolher porque ainda fica esperando a decepção chegar no auge pra tomar alguma atitude? Ou quando todos os fatos justificam a verdadeira face e caráter da pessoa, e você descobre do que ela realmente é capaz de fazer pra sustentar seu egocentrismo e você ainda fica na dúvida de saber se a pessoa presta ou não?
O que fazer quando você descobre que não tem a capacidade de curar a dor das pessoas, que as coisas podem quase nunca funcionar da forma que você deseja, ou desejou; e que tudo seria mais fácil se alguém tivesse a mesma disposição que a sua? O que fazer quando o medo de correr atrás de algo é grande e que a comodidade às vezes é muito mais atraente; ou quando você volta a lembrar em coisas passadas e descobre que poderia ter dado certo se não fossem certas atitudes que você tomou?
O que fazer quando tem muitas perguntas e nenhuma resposta?
[...]
quarta-feira, 5 de janeiro de 2011
Keys to the castle
Fazendo uma retrospectiva do meu ano, percebi que meu coração funciona como uma simples história de um castelo: é como se uma vez construído, seus muros e defesas fossem construídos de forma simples, resultando no não preparamento do que está por vir, então um dia chega um exército forte, mas não o suficiente para invadir suas muralhas, passa a se acreditar então na auto-suficiencia. Logo depois vem outro exército, uma vez subestimado foi forte o suficiente pra derrubar as muralhas e tornar tudo aquilo que era impenetrável, vulnerável. Muros ao chão, tudo que um dia foi impenetrável se encontra desmoronado. Devagar, se reconstrói, mas dessa vez muito mais forte, com estratégias muito mais inteligentes, e até mesmo sua defesa se torna mais espessa, praticamente invulnerável a outra invasão. Então chegam novos exércitos, tentam invadir de várias maneiras, mas desta vez seu castelo se encontra sólido o suficiente para garantir a proteção do seu interior, e então você percebe que chegam aqueles que até pensam em invadir, mas seu medo é tanto que preferem fugir e continuam estacionados em um lugar que não o levará a nada, já que é muito mais prático se conservar no seu mundo limitado do que tentar lutar por uma ideologia. E é por isso que minhas barreiras se tornam cada vez mais impenetráveis e a ansiedade da incerteza de existir alguém forte e capaz o suficiente para tentar derrubá-las é cada vez maior. Fim!
sexta-feira, 22 de outubro de 2010
Carnival
"Carnival came by my town today
Bright lights from giantwheels
Fall on the alleyways
And I'm here
By my door
Waiting for you
I will never know
'Cause you will never show
Come on and love me now
I hear sounds of lovers
Barrel organs, mothers
I would like to take you
Down there
Just to make you mine
In a merry-go-round..."
Simples assim...
Bright lights from giantwheels
Fall on the alleyways
And I'm here
By my door
Waiting for you
I will never know
'Cause you will never show
Come on and love me now
I hear sounds of lovers
Barrel organs, mothers
I would like to take you
Down there
Just to make you mine
In a merry-go-round..."
Simples assim...
quarta-feira, 13 de outubro de 2010
Caminhos certos, pensamentos opostos
Sabe o momento em que você está preso na sinaleira e quando você menos espera o sinal verde já abriu e você tem que seguir em frente? Estou me sentindo assim. E incrivelmente está sendo uma das melhores sensações que senti nos últimos tempos. Quando você premedita algo e anseia que ela aconteça, por mais que ela aconteça, ela não irá satisfazer, justamente pelo fato de ser algo premeditado. Mas então, acontece algo tão louco, tão intenso, tão gostoso, tão especial e é aí que de uma certa forma, tudo se encaixa no lugar certo e me faz pensar o quanto é bom deixar que as coisas aconteçam sem nenhuma forma, sem nenhuma especulação. Isso não signifique que eu esteja limitada a algo, mas há tantos caminhos que sempre tenho o péssimo hábito de pôr um pensamento oposto neles. Talvez não seja um péssimo hábito e sim uma espécie de escudo, para esconder toda a vulnerabilidade que existe. Mas como é possível visualizar um caminho certo com tanto pensamento oposto? Não visualize. Sinta, viva, deixe acontecer. Então eu permaneço em repouso, sem sequer fazer um movimento, apenas observando. De uma forma ou de outra, é melhor assutar as pessoas para elas não verem o quão assustada você está.
domingo, 26 de setembro de 2010
Pulsar
Primeira reação foi ter meu coração trabalhando em bombear meu sangue mais que o normal. Não foi uma reação, foi a falta dela. Depois ela se aproximou e então tudo que se encontrava estável se desequilibrou. Minha mão tremia ao levar o cigarro na boca, meu peito pulsava de forma violenta e somente um olhar dado, ignorado, me faz imaginar o que leva dois conhecidos se desconhecerem. Parece que tudo bom e ruim havia se descartado. Raiva, ansiedade, desejo, dúvida, covardia, tudo circulava em minha aura e então tudo se foi. Passado deve continuar enterrado, assim como os mortos. Mas sempre haverá o brilho eterno de uma mente que gostaria de estar sem lembranças. E é logo depois que percebo que um carma foi designado à minha pessoa. Coisas intensas permanecem intensas, seja para o lado emotivo ou físico. Gostaria de não precisar de tal intensidade, mas percebo que ela é a essência do meu ser e talvez seja por isso que atraio tanta coisa desnecessária. Necessário seria eu viver sem o desnecessário.
quinta-feira, 8 de julho de 2010
Tic tac, tic tac
São coisas tão bestas que me fazem perceber o quanto o tempo já passou. Ainda lembro que em quatro anos atrás falar de sexo era algo tão vulgar, hoje em dia é conversa de cotidiano. Sair pra beber com os amigos passa a ser rotina, e antes beber era só em festinhas de 15 anos, escondido dos pais. Sobrinhos nascem e quando você pisca os olhos, ele já fala tudo, já faz de tudo um pouco. E é nessa mudança que me vejo, onde ter relacionamentos passa a ser algo "necessário", onde ter emprego é algo fundamental e cursar uma faculdade é um pré-requisito pra ser alguém na vida.
Paixões, decepções, tudo começa a fazer sentido, tudo faz parte de um crescimento pessoal, de um desenvolvimento emocional. É de onde se criam as barreiras de proteção, onde você muda certas atitudes e apesar de tudo, permanece com outras.
É sobre essas barreiras que me veio a vontade de falar, barreira essa que me deixa insegura e me faz desconfiar de coisas em que confiava plenamente no passado. O problema é que essas barreiras não podem ser aplicadas a todos, afinal, cada um pensa e age de um jeito peculiar. Questiono o fato dessas barreiras surgirem para proteção própria e acabam interferindo negativamente em outras pessoas. Pessoas essas que aparecem com a promessa de mudar seu conceito anterior. Eu acho impossível destruir essas barreiras, mas acho altamente cabível moldá-las para algo positivo.
A única coisa que encontro dificuldade é de reconstruir meus defeitos, que depois de tanta decepção e ilusão, acabaram se tornando piores do que eram. É através desse tempo tão astucioso que espero alguma mudança, alguma mutação do que me fortaleceu e do que me amargou.
Paixões, decepções, tudo começa a fazer sentido, tudo faz parte de um crescimento pessoal, de um desenvolvimento emocional. É de onde se criam as barreiras de proteção, onde você muda certas atitudes e apesar de tudo, permanece com outras.
É sobre essas barreiras que me veio a vontade de falar, barreira essa que me deixa insegura e me faz desconfiar de coisas em que confiava plenamente no passado. O problema é que essas barreiras não podem ser aplicadas a todos, afinal, cada um pensa e age de um jeito peculiar. Questiono o fato dessas barreiras surgirem para proteção própria e acabam interferindo negativamente em outras pessoas. Pessoas essas que aparecem com a promessa de mudar seu conceito anterior. Eu acho impossível destruir essas barreiras, mas acho altamente cabível moldá-las para algo positivo.
A única coisa que encontro dificuldade é de reconstruir meus defeitos, que depois de tanta decepção e ilusão, acabaram se tornando piores do que eram. É através desse tempo tão astucioso que espero alguma mudança, alguma mutação do que me fortaleceu e do que me amargou.
sexta-feira, 4 de junho de 2010
Cheiro de livro novo
Eu sempre soube que de certa forma meus dezoito anos iriam mudar minha vida. E já está acontecendo. Tem uma energia tomando conta de mim, algo que nunca conheci antes, parece um estado progressivo de frenesi, onde meus sentidos ficam todos aguçados e minha alegria permanece constante. É algo como respirar puro oxigênio após um minuto sem ar, como se todas as coisas que me fizeram mal nos ultimos tempos fossem expelidas, ou se converteram em puro êxtase. Estou exalando luxúria e essa sensação parece me dar um poder incrível. Quero permanecer assim: intensa, indescritível.
terça-feira, 18 de maio de 2010
Amor denotativo, ódio conotativo
Raiva é passageira, o ódio, não da forma intensa e denotativa, mas da forma emocional, é alimentado e enterrado vivo de alguma forma. Quando desenterrado, vem de forma tão intensa, que o amor que criei por toda minha vida morre, sendo substituído por algo tão forte e tão infeliz, que é o que eu sinto nesse momento. Sempre fui fácil de perdoar, difícil de esquecer, e mesmo esquecendo momentâneamente, fica ali, vivo, em torpor, esquecido. Só precisa de uma linha de vida, pra tudo voltar, tudo que aconteceu em dezoito anos, todas as coisas ruins apagam as coisas boas, e mesmo que eu tente relembrar, uma muralha impede todas as flechas boas, que são queimadas instantâneamente. Às vezes me pergunto se todos passam por problemas, às vezes acho que eu fui amaldiçoada por ter alguém que tenha o dom de me magoar, e logo esse alguém que deveria ser meu equilíbrio e sanidade de alguma forma. E depois de todo furacão, os destroços aparecem, e me lembro que antes de tudo, mãe é algo insubstituível, mas mesmo assim, desejo profundamente que um espaço seja criado, porque todo esse desgaste me destrói, me desmorona.
Fui calejada a me refazer, e assim farei.
quarta-feira, 21 de abril de 2010
Um coração por um cérebro
O que me deixa vulnerável sempre foi aquilo em que tem uma capacidade básica de me destruir. Uma vez vulnerável, vejo cada tijolo que construí ao meu redor se decompor, como se aquilo em que me tornei fosse uma máscara, um falso ego. Nunca quis ter coração, nem mesmo pedi por isso. Ser frio, calculista ou apenas racional é tão inspirador, é inatingível. Esse corpo curvilíneo é controlado por um cérebro coberto por uma inspiração demoníaca. E são esses pequenos demônios que afirmam coisas em que meu coração não concorda. É atingido, é dilacerado, é enterrado novamente. É um ciclo de fazer os outros sofrerem de alguma forma para não sofrer, e quando tento mudar, toda a dor causada volta de alguma forma. "Tudo o que vai, volta", acredite, volta. Mas não nasci perfeita, nem mesmo quero ser. Gosto daquilo que é errado, daquilo que é impuro, obsceno e escuro. Sou um péssimo exemplo com um coração tão bom quanto a perfeição, por isso o troco por um cérebro, de preferência o mais velho possível. A perfeição não existe, e em mim, nunca existirá. E toda essa dor, me faz mutável a algo tão demoníaco, que nem mesmo imagino o que possa vir. Que venham todos os demônios, que me possuam em todas as formas, a santidade não mais existe aqui.
quarta-feira, 17 de março de 2010
Paixão sôfrega
"Sim, estou apaixonada." É, não dói admitir e de certo ponto é bom jogar tal notícia nas pessoas que se dizem insensíveis, assim como eu afirmava ser. Estar apaixonado é uma sensação inebriante, essa é a definição literária que chega exatamente perto da minha sensação real. Mas nem tudo que inebria faz bem, porque querer a pessoa e ela estar longe, imaginar a pessoa e ela não se materializar naquele instante para poder saciar minha sede em tê-la é difícil. E quando me encontro a sós com meus pensamentos, lá está ela, sorrindo, e até posso sentir seu perfume se impregnando em mim aos poucos para deixar vestígios quando não mais estiver com ela. Abdiquei meu posto de inexorável, meu posto daquela que está para o que der e vier, meu posto de disponível, tudo isso por um singelo posto movido por paixão, onde minha personalidade mais racional se torna vulnerável e onde minha personalidade mais complexa sofre sérias desfragmentações, deixando exposto aquilo na qual eu escondia, meu peito aberto. E é isso que te ofereço, meu peito aberto, minha mente desfragmentada, tudo simplificado do que um dia foi impenetrável. O pequeno anjo ao lado direito de meu ombro sussurra: "você se tornou alguém mais parecida com você mesma, você está prestes a se jogar num precipício que pode ser longo ou curto, onde você pode ser amortecida ao final ou você irá quebrar, se desfazer por completo. Mas qualquer que seja o final, será por uma boa causa."; já o pequeno demônio ao lado esquerdo me aconselha: "ser você mesma a deixa vulnerável, na sua primeira queda você verá que ser você mesma te destrói, seja alguém melhor, sendo pior do que era."
sexta-feira, 19 de fevereiro de 2010
Não joguem pedra na Geni
Eu lembro de uma cena aos seis anos em que estava na cozinha ouvindo o rádio e então tocou Geni e o Zepelim do Chico Buarque. Eu interpretei a música de uma forma tão profunda que me fez chorar, eu não lembro muito bem o porque e nem ao menos lembrava da letra da música. Resolvi procurar essa música e quando vi a letra fiquei emocionada a ponto de eriçar minha pele. É tão intensa e tão injusta que me fez refletir sobre a sociedade em que vivemos.
Ela é feita pra apanhar
Ela é boa de cuspir
Ela dá pra qualquer um
Maldita Geni"
A música fala de Geni, uma mulher na qual dá seu corpo aos pobres, aos velhos, aos deficientes, aos orfãos, às viúvas, a todas as pessoas em que a sociedade condena. Todos a julgam como depravante, todos querem sua desgraça pelo fato dela se entregar às pessoas em que todos excluem. Mas então, chega alguém superior a todos, na qual promete destruir tudo e a todos até conhecer Geni. Um homem poderoso, rico que Geni recusou, preferindo animais a ele. É então que as pessoas começam a beijar os pés de Geni, e a pobre Geni com seu coração bom acreditou em tanta sinceridade e sentimentos que resolveu se entregar ao forasteiro poderoso. Ela salvou a todos, até se sentiu bem por ter ajudado as pessoas na qual demonstraram tanto afeto por ela e é então que todos começam a julgá-la novamente:
"Joga pedra na Geni
Joga bosta na GeniEla é feita pra apanhar
Ela é boa de cuspir
Ela dá pra qualquer um
Maldita Geni"
O que mais me intriga, foi o fato de com seis anos eu ter conseguido sentir o que essa música transmite, que é justamente sobre tanta falsidade encobrindo tantos rostos que só descobrimos no momento em que deixamos de servir para alguma coisa. Um bom exemplo em que consigo aplicar a letra é sobre nossa política, na qual os pobres só são lembrados na época da eleição, onde os candidatos muito bem intencionados mostram tamanha pobreza de nosso país, prometem inúmeras coisas, conquistam a esperança dessas pessoas desafortunadas e quando consegue o que quer, os apedrejados são os pobres, que continuam com tamanha miséria. É uma vergonha que Chico Buarque transformou em arte.
quinta-feira, 18 de fevereiro de 2010
Jornada do SAC (Serviço de Atendimento ao Cliente)
Você tem que acordar cedo, bem cedo, antes do sol nascer. Então se arruma, espera um ônibus por qualquer tempo, não estimado. Finalmente, o ônibus passa. Ali mesmo, você adquire a viagem com espetáculo do sol nascer pelo preço de R$2,30. Por sorte, não tem trânsito, afinal, não são tantas pessoas que acordam cedo assim. Chegando lá você vê que tem gente que acorda cedo sim, já tem uma fila de trinta ou quarenta pessoas, mas por sorte, você será atendido. Chega um rapaz muito ajeitadinho, usa até gravata e recita várias instruções. Ele não fez um ensino superior, mas pelo menos trabalha direitinho, é um cara responsável, assim como boa maioria ali presente na fila, que a essa hora deve estar entre sessenta pessoas. Então ele te orienta e te dá um papelzinho. Você acorda cedo pra conseguir um papelzinho, uma espécie de bingo pra ter direito a um serviço público. Ótimo, já são seis da manhã é só esperar o número presente no papelzinho ser sorteado. Mas, o que acontece? Outro rapaz ajeitadinho só atenderá a partir das 7:40, então eles são legais e ligam a TV de plasma muito sofisticada e te apresentam um vídeo super interativo com várias informações sobre o que o SAC pode fazer para sua vida ficar mais fácil e mais confortável. Recapitulando, tudo isso para tirar uma carteira de trabalho, afinal, você só será alguém na vida ou alguém que queira ser algo caso possua a bendita carteira azul. Pois bem, você espera, aprende tudo o que o sac tem para te informar (que não é pouca coisa) e acaba decorando, porque deve ter repetido tantas vezes que com aquele calor você só tinha duas coisas a fazer: abanar seu rosto com os documentos necessários e continuar assistindo naquela belíssima televisão de plasma. Finalmente, às 7:40 eles começam a atender, chama um, dois, três, todos os números dos papéizinhos e tcharam: seu número foi sorteado. Lá tem uma moça muito gentil e simpática que te atende, coisa de cinco minutos. Então você faz a jornada pra conseguir cinco minutos da atenção da querida atendente do sac, que amávelmente lhe entrega outro papel e pede para você voltar novamente depois de um mês, afinal, a jornada continua.
sábado, 9 de janeiro de 2010
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